{"id":1517,"date":"2022-05-18T09:00:54","date_gmt":"2022-05-18T12:00:54","guid":{"rendered":"https:\/\/cidmed.med.br\/web\/?p=1517"},"modified":"2022-05-11T09:49:36","modified_gmt":"2022-05-11T12:49:36","slug":"risco-controlado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cidmed.med.br\/web\/risco-controlado\/","title":{"rendered":"Risco Controlado"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: justify;\">Saber quando e como utilizar as avalia\u00e7\u00f5es ocupacionais \u00e9 essencial para a identifica\u00e7\u00e3o e controle dos agentes de risco no ambiente de trabalho.<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era manh\u00e3 de 15 de janeiro de 2021 quando um trabalhador fazia a limpeza de res\u00edduos qu\u00edmicos de um tanque de dois metros de profundidade em uma empresa de croma\u00e7\u00e3o e niquela\u00e7\u00e3o de metais na capital paulista. Durante o trabalho, o homem, de 53 anos, inalou g\u00e1s t\u00f3xico, perdeu os sentidos e caiu dentro da estrutura. Ao tentar ajud\u00e1-lo, outros dois colegas, de 40 e 25 anos, tamb\u00e9m foram intoxicados e morreram no local. Uma quarta v\u00edtima, de 24 anos, faleceu no hospital e outros quatro foram internados. Em depoimento \u00e0 pol\u00edcia, a propriet\u00e1ria da empresa disse que todos utilizavam equipamentos de prote\u00e7\u00e3o como m\u00e1scara, luvas, botas e aventais durante a ocorr\u00eancia. Acidentes como este e outros tantos que vitimam trabalhadores no pa\u00eds chamam a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de uma correta avalia\u00e7\u00e3o dos perigos que rondam os ambientes laborais, constatando sua presen\u00e7a e chegando a conclus\u00f5es quanto a sua magnitude, o que provavelmente n\u00e3o foi feito neste caso em S\u00e3o Paulo. Se as consequ\u00eancias provocadas pelo contato com os produtos qu\u00edmicos fossem conhecidas e as medidas de controle adotadas fossem suficientes para a prote\u00e7\u00e3o daquela exposi\u00e7\u00e3o, o desfecho poderia ter sido outro. E \u00e9 justamente para conhecer e eliminar esses perigos qu\u00edmicos e outros f\u00edsicos e biol\u00f3gicos, presentes nas jornadas de trabalho, que os profissionais de SST realizam a avalia\u00e7\u00e3o, que pode ser qualitativa, semi-quantitativa ou quantitativa. Al\u00e9m de conhecerem profundamente as diferen\u00e7as entre cada uma delas, o desafio \u00e9 saber quando e como utiliz\u00e1-las. Uma tarefa que requer muito estudo, conhecimento t\u00e9cnico e pr\u00e1tica profissional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira, qualitativa, consiste, a partir do julgamento profissional, em uma an\u00e1lise baseada em observa\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, experi\u00eancias anteriores ou modelos. \u00c9 aquela em que se realiza a identifica\u00e7\u00e3o do risco que pode estar presente no ambiente, sem que seja atribu\u00eddo um valor para provar que ele realmente est\u00e1 no local de trabalho. J\u00e1 as avalia\u00e7\u00f5es quantitativas, de acordo com a engenheira civil e higienista ocupacional, Berenice Isabel Ferrari Goelzer, s\u00e3o mais complexas e sua interpreta\u00e7\u00e3o se baseia, por exemplo, na compara\u00e7\u00e3o de estimativas de concentra\u00e7\u00f5es ambientais de contaminantes atmosf\u00e9ricos ou em resultados de medi\u00e7\u00f5es de agentes f\u00edsicos, com valores limites de exposi\u00e7\u00e3o ocupacional (LEOs) recomendados e\/ou legalmente adotados, com base em dados cient\u00edficos. E, neste caso, conforme o T\u00e9cnico em Higiene Ocupacional Certificado pela ABHO (THOC 0052), tecn\u00f3logo em Gest\u00e3o Ambiental e t\u00e9cnico de Seguran\u00e7a do Trabalho, Marcos Sell, h\u00e1 par\u00e2metros definidos, como os Anexos I e III da NR 9, que tratam, respectivamente, sobre os limites de exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 vibra\u00e7\u00e3o e ao calor; a NR 15, que indica limites de toler\u00e2ncia para as atividades consideradas insalubres; os previstos pela ACGIH (American Conference of Governmental Industrial Higyenists); e as NHO (Normas de Higiene Ocupacional da Fundacentro). H\u00e1, ainda, recomenda\u00e7\u00f5es como a publica\u00e7\u00e3o da AIHA (American Industrial Hygiene Association), recentemente traduzida pela ABHO com o t\u00edtulo. Uma estrat\u00e9gia para avaliar e gerenciar &#8211; Exposi\u00e7\u00f5es ocupacionais, al\u00e9m de um dos documentos mais utilizados quanto a Limites de Exposi\u00e7\u00e3o Ocupacional da ACGIH, tamb\u00e9m traduzido e publicado pela ABHO: 2022 TLVs e BEIs.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">ETAPA<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de se deter, por\u00e9m, na metodologia, os prevencionistas chamam a aten\u00e7\u00e3o de que a avalia\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser considerada como um fim, mas como uma etapa de um processo muito mais amplo que, de acordo com Berenice Goelzer, come\u00e7a com a percep\u00e7\u00e3o de que um certo agente, capaz de causar preju\u00edzo \u00e0 sa\u00fade, pode estar presente num certo ambiente de trabalho, e que termina com a preven\u00e7\u00e3o ou controle da exposi\u00e7\u00e3o dos trabalhadores a este agente. \u201cNa pr\u00e1tica da Higiene Ocupacional, a etapa de avalia\u00e7\u00e3o deve ser precedida de reconhecimento de riscos bem-feito, e, no caso de serem constatados riscos, isto s\u00f3 tem significado se servir de base para sua preven\u00e7\u00e3o e\/ou controle\u201d, esclarece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O processo de conhecimento, julgamento e gerenciamento das exposi\u00e7\u00f5es, na vis\u00e3o do engenheiro mec\u00e2nico e de seguran\u00e7a e higienista ocupacional certificado (ABHO HOC 0050), Mario Luiz Fantazzini, \u00e9 cont\u00ednuo e inicia no reconhecimento dos ambientes, do processo, das fun\u00e7\u00f5es e tarefas, e dos agentes. Essa fase, conforme o higienista, se chama caracteriza\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e \u00e9 preconizada pela AIHA h\u00e1 muitos anos. \u201cDurante o processo, podem ocorrer avalia\u00e7\u00f5es dos agentes, qualitativas e\/ou quantitativas. O profissional deve optar entre v\u00e1rias abordagens, que dependem das caracter\u00edsticas da situa\u00e7\u00e3o encontrada, a qual pode demandar a\u00e7\u00f5es de controle imediatas, avalia\u00e7\u00f5es qualitativas preliminares ou mesmo avalia\u00e7\u00f5es quantitativas\u201d, elenca. Na maior parte dos casos, para Fantazzini, as avalia\u00e7\u00f5es quantitativas s\u00e3o fundamentais para o julgamento consolidado da situa\u00e7\u00e3o de exposi\u00e7\u00e3o. \u201cTodavia, os est\u00e1gios intermedi\u00e1rios de avalia\u00e7\u00e3o e julgamento n\u00e3o impedem que se tomem a\u00e7\u00f5es de controle e isso sempre esteve bem claro no antigo PPRA (Programa de Preven\u00e7\u00e3o de Riscos Ambientais), como continua v\u00e1lido no PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos) da NR 1\u201d, destaca o higienista.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">TIPOS DE AVALIA\u00c7\u00d5ES<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">As avalia\u00e7\u00f5es para identifica\u00e7\u00e3o dos agentes de risco no ambiente de trabalho podem ser:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>Qualitativa<\/strong> &#8211; compreende uma observa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, levando em considera\u00e7\u00e3o a experi\u00eancia dos trabalhadores, de avalia\u00e7\u00e3o dos riscos presentes no ambiente, sem a utiliza\u00e7\u00e3o de equipamentos para a realiza\u00e7\u00e3o de medi\u00e7\u00f5es e sem metodologias semiquantitativas, mas que permitem ao profissional agir para a mitiga\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li><strong>Semi-Quantitativa<\/strong> &#8211; um m\u00e9todo que proporciona a hierarquiza\u00e7\u00e3o dos riscos e estima se estes s\u00e3o aceit\u00e1veis ou se necessitam de medidas urgentes e imediatas. \u00c9 baseada na magnitude do risco profissional, a partir da estimativa da frequ\u00eancia do risco e da gravidade poss\u00edvel das les\u00f5es.<\/li>\n<li><strong>Quantitativa<\/strong> &#8211; uma avalia\u00e7\u00e3o por instrumento, em que \u00e9 atribu\u00eddo um valor de concentra\u00e7\u00e3o ou intensidade ao agente, para dimensionar a exposi\u00e7\u00e3o ocupacional dos grupos de trabalhadores, comprovar o seu controle e subsidiar o equacionamento das medidas de preven\u00e7\u00e3o. \u00c9 importante para fins de laudos t\u00e9cnicos, periciais e caracteriza\u00e7\u00e3o de insalubridade<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seja qual for a metodologia adotada nas avalia\u00e7\u00f5es ocupacionais, se atrav\u00e9s destes exemplos citados pela reportagem ou de outros existentes, o certo \u00e9 que os profissionais de SST devem sempre ter em mente que este processo \u00e9 considerado como um meio, uma das etapas para a identifica\u00e7\u00e3o e o controle dos agentes de risco no ambiente de trabalho. Um caminho que deve ser conduzido com aten\u00e7\u00e3o \u00e0s constantes atualiza\u00e7\u00f5es na \u00e1rea de Higiene Ocupacional e muito estudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Autor: <strong>Marla Cardoso<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Saber quando e como utilizar as avalia&ccedil;&otilde;es ocupacionais &eacute; essencial para a identifica&ccedil;&atilde;o e controle dos agentes de risco no ambiente de trabalho. Era manh&atilde; de 15 de janeiro de 2021 quando um trabalhador fazia a limpeza de res&iacute;duos qu&iacute;micos de um tanque de dois metros de profundidade em uma empresa de croma&ccedil;&atilde;o e niquela&ccedil;&atilde;o de metais na capital paulista. Durante o trabalho, o homem, de 53 anos, inalou g&aacute;s t&oacute;xico, perdeu os sentidos e caiu dentro da estrutura. Ao tentar ajud&aacute;-lo, outros dois colegas, de 40 e 25 anos, tamb&eacute;m foram intoxicados e morreram no local. Uma quarta v&iacute;tima, de 24 anos, faleceu no hospital e outros quatro foram internados. Em depoimento &agrave; pol&iacute;cia, a propriet&aacute;ria da empresa disse que todos utilizavam equipamentos de prote&ccedil;&atilde;o como m&aacute;scara, luvas, botas e aventais durante a ocorr&ecirc;ncia. Acidentes como este e outros tantos que vitimam trabalhadores no pa&iacute;s chamam a aten&ccedil;&atilde;o para a necessidade de uma correta avalia&ccedil;&atilde;o dos perigos que rondam os ambientes laborais, constatando sua presen&ccedil;a e chegando a conclus&otilde;es quanto a sua magnitude, o que provavelmente n&atilde;o foi feito neste caso em S&atilde;o Paulo. Se as consequ&ecirc;ncias provocadas pelo contato com os produtos qu&iacute;micos fossem conhecidas e as medidas de controle adotadas fossem suficientes para a prote&ccedil;&atilde;o daquela exposi&ccedil;&atilde;o, o desfecho poderia ter sido outro. E &eacute; justamente para conhecer e eliminar esses perigos qu&iacute;micos e outros f&iacute;sicos e biol&oacute;gicos, presentes nas jornadas de trabalho, que os profissionais de SST realizam a avalia&ccedil;&atilde;o, que pode ser qualitativa, semi-quantitativa ou quantitativa. Al&eacute;m de conhecerem profundamente as diferen&ccedil;as entre cada uma delas, o desafio &eacute; saber quando e como utiliz&aacute;-las. Uma tarefa que requer muito estudo, conhecimento t&eacute;cnico e pr&aacute;tica profissional. A primeira, qualitativa, consiste, a partir do julgamento profissional, em uma an&aacute;lise baseada em observa&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas, experi&ecirc;ncias anteriores ou modelos. &Eacute; aquela em que se realiza a identifica&ccedil;&atilde;o do risco que pode estar presente no ambiente, sem que seja atribu&iacute;do um valor para provar que ele realmente est&aacute; no local de trabalho. J&aacute; as avalia&ccedil;&otilde;es quantitativas, de acordo com a engenheira civil e higienista ocupacional, Berenice Isabel Ferrari Goelzer, s&atilde;o mais complexas e sua interpreta&ccedil;&atilde;o se baseia, por exemplo, na compara&ccedil;&atilde;o de estimativas de concentra&ccedil;&otilde;es ambientais de contaminantes atmosf&eacute;ricos ou em resultados de medi&ccedil;&otilde;es de agentes f&iacute;sicos, com valores limites de exposi&ccedil;&atilde;o ocupacional (LEOs) recomendados e\/ou legalmente adotados, com base em dados cient&iacute;ficos. 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